domingo, 6 de setembro de 2009

Neco Vieira

Como ele mesmo afirma "um guri que talvez seja único",Neco Vieira, é compositor, letrista e poeta. É com tamanha facilidade que em pouco tempo consegue compor uma canção. Neco é nosso entrevistado do mês de setembro e é com muita alegria que mostramos o talento desse paulista com o coração carioca.

Balaio Contemporâneo - De onde veio o ato de escrever?

Neco Vieira -
Escrever foi algo que aconteceu por acaso, não por escolha, nem nada. Sempre gostei de escrever, lembro até que no ensino fundamental, na sempre memorável escola João de Souza Ferraz, do qual nunca esquecerei, pois estudei oito anos de minha vida. Eu pedia para a professora fazer por semana uma aula de redação, porém o projeto não foi adiante. Mas, em relação a letras e poemas, tudo começou em dezembro de 2005 quando eu havia prometido um depoimento no orkut de final de ano para uma amiga, e sentei-me em frente ao computador e comecei a escrever, algumas coisas rimadas, lindas na época, hoje tenho vergonha de mostrar. O fato que me intrigou foi que, ao escrever, eu tremia muito, rangia os dentes, como se fosse o dia mais frio do ano, e eu estivesse nu, porém era final de ano, verão. Então fui desenvolvendo isso, e descobri que eram letras de músicas, o que eu fazia, logo descobri o nome '' letrista'' e já passei a me autonomear como ''letrista''. E ai o tempo foi passando, e creio que fui evoluindo.

Balaio Contemporâneo - Você tem alguma influência? Quem?

Neco Vieira - Sim, tenho várias influências, musicais, pessoais, etc. Porém influência musical começou com Rita Lee, então fui conhecendo a boa MPB e rock nacional. Elis Regina, Cássia Eller, Cazuza, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Legião Urbana... Rita influenciou letras que fiz em 2006, Legião em 2007/2008, e no final de 2008 comecei a descobrir melhor um cara que eu já tinha ouvido falar ''Chico Buarque''. Depois disso todas as letras de 2009 estão vindo em estilo Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e todo esse pessoal da MPB – Música Popular Brasileira.

Balaio Contemporâneo - Você tem alguma inspiração na hora de escrever?

Neco Vieira - Sim, mulher, a alma feminina, relacionamentos amorosos, enfim, a vida, minha vida me inspira muito, meu dia-a-dia, minha rotina, minha curta e medíocre vidinha.

Balaio Contemporâneo - Como você consegue elaborar uma canção, texto e poema, tão rápido?

Neco Vieira - As letras já vêm prontas quando começo a escrever. É como se meu cérebro ficasse um tempo montando e entregasse às minhas mãos, prontas. É complicado explicar, porém, não passo horas, dias nem meses, para compor uma letra, basta-me apenas de cinco ou dez minutos à uma hora.

Balaio Contemporâneo - Qual seu tema favorito de escrever?

Neco Vieira -
Prefiro falar de amor do que de sentimentos de ódio, rancor. Gosto de escrever coisas que meus filhos possam ouvir sem se assustarem.

Balaio Contemporâneo - O que você acha das letras que estão surgindo no Brasil?

Neco Vieira –
Depende do estilo. Em relação ao funk, são letras que rebaixam a mulher, os sentimentos femininos. Em relação a MPB, estou gostando, estão surgindo ''caras'' novas que estou adorando. Já o rock nacional, sinto que ele está se perdendo em modinhas – tipo os emos [nada contra, adoro emo]. Então, qualquer cara com uma guitarrinha na mão, que cante de sentimentos adolescentes, e faça barulho estilo rock'n'roll já é considerado rock?! É preciso atenção.

Balaio Contemporâneo - Alguma letra sua já virou música? De quem? Como foi isso?

Neco Vieira -
Sim a primeira foi:

Deleite Ínclito

"Em todas as mulheres vejo o seu olhar,
Em todas as crianças vejo seu sorriso,
Em todos os abraços eu sinto o seu calor,
Em todas as lacunas sinto você.
Sei que não sei de você,
Mas tu podes me ensinar a ser só seu,
Basta dizer que eu sou seu eternamente,
Pois em todos os passos vejo o seu andar,
Em todos os sorrisos vejo você,
Em todas essas obras vejo você, meu amor.
Não posso chegar, não posso sair,
Estou preso em seu coração,
Não posso mandar, só sei obedecer,
Sou seu e de mais ninguém.
Mas em todos os vôos eu vejo tuas asas,
Em todos os sonhos vejo suas cores,
Em todos os homens sua bravura
Em todos os seres sua existência.
Eu te amo tanto, mas não sei pedir
O que eu mais quero é poder
Querer sem ninguém saber,
Sem ser censurado, sem ser derrotado,
Só quero é ter você.
Não posso chegar, não posso sair,
Estou preso em seu coração,
Não posso mandar, só sei obedecer,
Sou seu e de mais ninguém.
Não vou te abandonar jamais."

musicada por Giovana Vincenzi, ótima musicista, cantora, compositora. No entanto, tenho uma banda, chamada Nó Górdio, onde em, pouco mais de um ano de existência já teve várias entradas e saídas de integrantes, hoje, para falar a verdade é uma dupla. Inicialmente, Nó Górdio começou com a idéia de Beatriz Modesto montar uma banda, então, me convidou por eu ser letrista, e convidou Ana Luísa por tocar violão e saber compor e cantar muito bem, e Alexandre Natale como baterista, porém, no decorrer do ano, Beatriz e Alexandre saíram, entrou para os teclados então Marina Abreu que ficou só por dois meses, enfim, Nó Górdio permanece com Ana Luísa e Neco Vieira desde o princípio, e como sempre foi, Ana Luísa e eu compomos músicas e letras para nosso repertório, em breve todos ouvirão o som de Nó Górdio.

E finalizo dizendo um pedaço de uma letra recente minha, que relato meu amor pelo Rio de Janeiro:

"Salve todos brasileiros
Em especial o Rio
Sou paulista de nascença
Mas de coração sou Rio."


Confiram: letras - blog - flickr

sábado, 29 de agosto de 2009

A arte de Eliane Brum

"Todo o meu olhar sobre o mundo é mediado por um amor desmedido pelo infinito absurdo da realidade" - Eliane Brum

Para quem ainda não a conhece, Eliane Brum é jornalista e escritora, reconhecida por suas narrativas ricas em sensibilidade. Eliane iniciou sua trajetória no jornal "Zero Hora", de Porto Alegre e desde 2000 é repórter especial da revista "Época", em São Paulo e uma das mais premiadas jornalistas brasileiras.

A jornalista é autora de três livros, o último deles "O olho da Rua” (editora globo), o livro reune textos já publicados com comentários inéditos sobre o processo de desenvolvimento da reportagem. Eliane tem um jeito muito peculiar de mostrar o lado humano de uma reportagem - de rua - em especial. Apesar de muitos jornalistas acharem que depois de muito tempo na rua, o profissional perde a sensibilidade, em Eliane isso tem o efeito contrário, se torna cada vez mais sensível em cada nova experiência.


No livro "O olho da Rua" a jornalista escreve sobre o cotidiano das pessoas que não tem voz na grande mídia. Ao ler suas reportagens percebe-se que há um grande destaque no relato que diz respeito à vida de pessoas comuns, sem espaço na arquibancada da vida. A partir de seu olhar e da seleção de suas palavras essas pessoas passam a ocupar o camarote.

É muito interessante que esse livro possa ser lido por qualquer profissional ou estudante de comunicação, tanto o curso de Relações Públicas, onde os graduados precisam aprender a ouvir os diversos públicos. Na Publicidade e Propaganda que é de extrema importância desenvolver a entrevista qualitativa, para compreender o que é melhor para o público, no radialismo onde o profissional precisa transmitir informação, além do que é muito importante estar em contato com os diversos espaços na sociedade. E claro, o estudante de jornalismo que ao ler o livro poderá aprender sobre a arte de realizar entrevistas com delicadeza.

O livro além de chamar atenção pelo título “O olho da Rua”, também chama atenção pela capa, um olho no muro branco. É um livro cativante em toda sua essência, é muito mais que um livro de entrevistas. Eliane nos coloca frente aos acontecimentos e escreve como uma jornalista literária. São histórias surpreendentes, cheias de simplicidade e realidade.

Fica aqui um pouco sobre a escritora/jornalista Eliane Brum, e seu livro de suma importância, não só para os comunicadores, mas também para toda sociedade que queira saber um pouco mais sobre o outro lado da "rua".

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Eliane Brum fala sobre seu livro "O Olho da Rua"


domingo, 23 de agosto de 2009

Joéliton Santos


Joéliton é um garoto de 17 anos com muita sede de viver. Têm muitos amigos, inclusive virtuais devido ao seu blog que está fazendo muito sucesso e cada vez mais aumentando o número de seguidores. Ele diz que é sensacional poder receber carinho e amor de pessoas que nem conhece.

Desde infância tem o dom de escrever e vontade de publicar um livro autoral. Usava a tristeza como uma inspiração para desabafar e foi através de uma linda história que surgiu de repente em sua mente, que começou a escrever seu livro. Como ele mesmo diz “surgiu do meu mundo imaginário”.



“Realizando meu sonho – quem acredita sempre alcança” é o nome do livro de Joéliton que foi lançado ontem pelo clube dos autores, um site que publica livros sem nenhum custo, e conta a história de uma menina chamada Beatriz que passa por muitos obstáculos até conseguir realizar seus sonhos. Ou seja, o livro aborda que tudo é possível mesmo enfrentando barreiras difíceis. Sua grande influência como escritora é a Thalita Rebouças – a qual o entrevistamos a duas semanas atrás.