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domingo, 20 de setembro de 2009

Ana Paula na Caixeta

Cara de bailarina, pele de porcelana e com um talento fantástico para desenhar, Ana Paula Caixeta, BailariAna para íntimos, é o mais novo talento que o balaio contemporâneo mostra direto da capital do Brasil – Brasília.

"Desde criança tento desenhar. Sempre tive uma atração enorme e sensível para as diversas formas de expressão artística. É um mundo tão perfeito! Tão maravilhoso, que ultrapassa a realidade por completo. Sublime, diria. Essa fascinação eu trago comigo a vida inteira. Não tive muito incentivo. As pessoas ainda não conhecem muito o valor e a importância da arte em nossas vidas, seja ela qual representação for. É questão de formação humana. Ela faz parte, integralmente, da constituição do indivíduo em sua sensitividade perante o mundo. Isso ameniza essa difícil sobrevivência tão efêmera, acredito”, afirma ela.

Na infância tentava desenhar o que as pessoas desejavam, mas depois percebeu que não era feliz com suas produções e resolveu parar. Ingressou no curso de Letras e começou a lecionar. Mas percebia que faltava alguma coisa dentro de si. Foi então que decidiu estudar Artes Plásticas – onde estuda até hoje - e buscar sua felicidade nos desenhos.

A maioria dos seus desenhos são em preto e branco, pois se diz ter um grande problema com cores por não saber pintar e achar extremamente difícil de ser trabalhado. Na conclusão de uma disciplina de esculturas utilizou peças de bonecas para construir objetos - “Essa escolha
se deu ao fato de não me simpatizar muito com esses “brinquedinhos” de expressões demoníacas. É uma antipatia particular, diria. Tenho muito problema com a figura humana, pois se quer tudo tão perfeito, mas ninguém é. Uma luta maldita para buscar algo que jamais se alcançará. Essa padronização me irrita! Por isso tenho tanta distorção do humano em meus trabalhos.” - segundo Ana Paula.

Ela confessa que não possui inspiração para desenhar, e brinca: Só queria muito ter a inspiração de que tanto falam. Acho que ela não gostou de mim e me deixou ao léu”. Pretende um dia poder trabalhar com uma temática, fazendo esboço, usando borracha para corrigir e aperfeiçoar seus rabiscos, pois até então simplesmente risca e ao final é que vê o resultado e toda sua significação óbvia, porém, inusitada. Bosch, Kandinsky, Brueghel, Beksinski e Degas são alguns artistas que lhe inspiram e enchem seus olhos.


Algumas obras de Ana Paula na Caixeta:











































domingo, 13 de setembro de 2009

Fernanda Batista

Os desenhos típicos da cultura pernambucana chamam a atenção de todos que passam pelo pequeno ateliê de Fernanda Batista. Seus traços são delicados, coloridos e criativos e tem uma marca que é a presença de um sorriso no rosto de cada personagem. Quem olha se encanta primeiramente por seu talento, mas se para e conversa com e própria criadora, se encanta mais ainda.

Fernanda recebeu o “Balaio Contemporâneo” de forma muito à vontade numa segunda-feira pela manhã e conversamos durante mais de hora, num papo agradável e regado de histórias interessantes que aconteceram durante os quase quatro anos que está no Shopping Paço Alfândega, no bairro do Recife Antigo, beirando mar e rio.

Sua história é incrível por que é justamente um exemplo de como as pessoas depois de muito tempo podem descobrir uma atividade sobre a qual nem pensavam em realizar – no seu caso, a pintura - e hoje não se enxergam mais sem ela. Fernanda começou cursando Nutrição, onde abandonou o curso quando arrumou emprego e se formou em Secretariado. Depois de 19 anos saiu do trabalho que era seu mundo e foi descobrir na pintura uma espécie de terapia, como ela mesma disse.

A princípio era somente um presente para um amigo – um jogo de copos para caldinhos -, mas com grande incentivo da família e de amigos próximos, ela foi convidada para abrir seu ateliê no Paço. Este ano completará lá, em Outubro, quatro anos de muito sucesso e realização pessoal. Para ela, é importante ter prazer naquilo que faz, e por isto, seu trabalho não é somente voltado para o lucro, mas também pelo gosto em pintar louças e caixas lindíssimas, além de fazer muitos amigos.

No mesmo banquinho em que estávamos sentadas, ela nos contou que já recebeu muitas pessoas que ali passaram somente para ver sua arte ou comprar algo e acabam sentando e tomando cafezinhos enquanto conversam; Fernanda consegue passear por todos os assuntos e manter a simpátia com suas histórias. A proposta é que nas conversas sempre alguém saia com algo que foi dito, não importa quem. Como ela falou: “Cada um tem sua missão."

Vale à pena passar por lá, seja para comprar, seja pra conversar; além de valorizar a rica cultura pernambucana com peças lindas, uma boa conversa também é sempre bem-vinda e temos certeza que ela não negará isto.

Onde encontrar:
Ateliê Fernanda Batista - Paço Alfândega - Recife/PE

Contatos:
0**81-32241047/ soaresbatista@bol.com.br